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Choque Cultural

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Quando uma pessoa é retirada de um meio cultural a que está acostumada, para viver em um outro país com hábitos, costumes e tradições diferentes, ocorre o chamado Choque Cultural.

 

No espaço de apenas 1 ou 2 dias você em resumo terá:

A)   Um novo pai que não é seu pai;

B)   Uma nova mãe que não é sua mãe;

C)  Provavelmente toda uma família, irmãos, tios e avôs, que você nunca viu;

D)  Uma escola com organização curricular, horários, sistemas, professores, etc., completamente diferentes do que você está acostumado;

E)   Colegas que você nunca viu e amigos que você nunca teve;

F)   Um visual diferente de arquitetura, carros, cores, tipos humanos, roupas;

G)  Uma alimentação diferente e um relacionamento estranho no lar, na escola, e na comunidade.

 

Some a isso tudo, que é apenas um resumo dos acontecimentos, a saudade de seus pais, amigos e parentes, enfim, a ausência dos padrões culturais a que você está costumado no Brasil e teremos então formado um “Quadro de Choque Cultural”.

 

Desde que você se mude, seja de um lugar para outro em seu próprio país ou para o estrangeiro terá de fazer ajustes conscientes, inconscientes e físicos. No entanto, quando você se muda para o estrangeiro, os ajustes necessários para viver feliz naquele lugar serão mais difíceis de serem alcançados. Quando você entra para uma nova cultura completamente diferente da sua, o desconforto mental e físico, a desorganização que resulta não é tão passageira como quando você se muda de uma região para outra em sua própria terra. Todos aqueles que se mudam, necessitam ajustar-se a climas diferentes, a outras paisagens, novos valores, costumes e comportamento diverso daquele a que está acostumado.

Logo após a mudança de um lugar para o outro, há um período de tempo em que tudo parece estranho. Ao se mudar para um país estrangeiro é necessário um esforço adicional, pois além de toda sua luta para se adaptar a uma nova cultura, há ainda a barreira lingüística. O esforço para se comunicar em outra língua é um processo que pode tornar-se intolerável para alguns. É um processo muito cansativo, que exige concentração e muita boa vontade. Desde nosso nascimento, todos somos recebedores involuntários de nossa própria cultura. A gente nunca é mais brasileiro do que no momento em que sai do avião e põe o pé cauteloso no solo de outro país. Um brasileiro criado dentro de sua respectiva cultura será sempre um brasileiro. Nada pode mudar isto. A reação humana comum à mudança cultural é chamada de “Choque de Culturas”.

Por Choque Cultural, entendemos todo o desajuste emocional que acontece por termos que nos adaptar a um novo ambiente, nova cultura e valores que poderão ser dramaticamente diferentes dos nossos. Para superar estas dificuldades é necessário, principalmente, que você assuma uma atitude positiva com respeito a sua nova vida em um outro país.

Lembre-se que este choque está afetando também os seus colegas de intercâmbio, uns mais outros menos, mas todos estarão no mesmo dia e hora, sentindo as mesmas sensações que você vivência naquele instante. Tenha sempre em mente que o choque cultural é uma reação normal, e que em breve espaço de tempo você se acostumará aos costumes e modo de vida de seu país hospedeiro. Não de desespere... não se pendure ao telefone... dê tempo ao tempo.

 

Os sintomas mais comuns de um choque cultural são:

 

1ª Fase – Fascinação Inicial


Tudo é novidade, curioso, estranho.

 

2ª Fase – Frustração, Solidão


Você se sente frustrado, solitário, incompreendido. Devido ao esforço em atender tudo ao seu redor, você se cansa muito, sente muito sono. Todos os problemas parecem maiores do que realmente são.

Longos telefonemas, pequenos problemas de adaptação na escola, no lar, no entendimento da cultura, da barreira lingüística etc, são dificuldades comuns de integração nesse período, que se justificam pelo estado emocional em que você se encontra.

 

3ª Fase – Saudades, Hostilidade contra o país hospedeiro


Você sente muita saudade de tudo e de todos.

É normal que você sinta falta de seus pais, amigos, etc, contudo não pode ficar pensando nisto o tempo todo.

Nesta fase você tem tendência a exagerar e comparar... tudo no Brasil é melhor e mais bonito... as pessoas do país hospedeiro não são legais,... você se sente insatisfeito e infeliz,... ninguém gosta de você.

Qualquer pequena irritação o deixa excessivamente nervoso e mal humorado, telefona constantemente para casa, aborrece os pais e se torna um chato.

 

4ª Fase – A procura da nacionalidade


Você fica dependendo de seus amigos brasileiros, somente se sente bem com eles, só fala com eles ao telefone.

Você se retrai, fecha-se em seu quarto e embora vivendo em um país estrangeiro, tenta criar em torno de si um território brasileiro.

No fim dessa fase já aparecem os primeiros amigos americanos, você começa a entender melhor a língua e os costumes e vai vagarosamente se adaptando a um novo país.

Esse é o momento em que você irá definitivamente compreender, que seu país hospedeiro não irá se modificar para adaptar-se a você, mas ao contrário, será você que terá que se modificar para adaptar-se ao país onde está vivendo.

 

5ª Fase – Identificação


Completa-se o processo de adaptação. Sua vida cai na rotina como no Brasil, os dias e meses seguintes já não oferecem mais preocupação. Você adquire hábitos iguais ou parecidos com os dos nativos do país, expressa-se como eles, até mesmo em gíria, discute os mesmos problemas que os afeta, enfim, se identifica até na prática de esportes e diversões que mal você conhecia.

 

Observação: Estas fases não são rígidas e matemáticas. Como sua origem tem fundo emocional, a profundidade e duração dependem de características individuais de personalidade e habilidade em se adaptar a novas situações.

Existem algumas pessoas que passam pelo mesmo processo de adaptação, sem praticamente se aperceberem de nada anormal ou desconfortável.

 

O que fazer para vencer o Choque Cultural:

 

1) Não se acovarde


Enfrente os problemas.

Lembre-se de que milhares de outros estudantes já passaram por isto e venceram, e que com você não vai ser diferente.

 

2) Reavalie suas expectativas


Você talvez tenha partido do Brasil com expectativas fantasiosas, achava que tudo seria maravilhoso, que todos estariam a sua espera, que seria procurado, bajulado, etc.

Pergunte a si próprio: “por que deveria eu esperar coisas assim?”

Afinal você não é especial, você é igual a todos os demais e terá que conviver com eles em absoluto pé de igualdade.

 

3) Discuta seus problemas


Fale com seu pais anfitriões.

Converse com seu conselheiro.

Não se feche, não se isole, não se pendure ao telefone, pratique esportes, procure se tornar uma pessoa bastante flexível.

Reduza a frequência de seus contatos com sua família e amigos no Brasil.

 

4) Mantenha a mente aberta


Devagar as coisas voltarão ao seu lugar. Você se adaptará a uma nova cultura, dominará a língua e se sentirá integrado ao novo ambiente.

Muitos se integram tão bem que sofrem, “Choque Cultural Reverso”, ao voltar para o Brasil.

 

5) Não compare


Culturas não podem ser medidas ou comparadas.

Elas representam um povo, seu modo de pensar, viver, agir, seus valores, suas crenças, sua música, etc.

Quando você nasce, cresce e se educa em uma determinada cultura, você passa a fazer parte dela, desta forma, nenhuma outra é melhor do que a sua, contudo para os outros a deles é melhor.

Quando você estiver viajando não compare nunca, aproveite para conhecer os pratos típicos, aproveite a dança e a música, respeite as crenças, admire as roupas, visite os monumentos históricos, observe a arquitetura, procure saber da história desse povo.

 

6) Integre-se 


Pratique esportes - essa é uma das formas mais eficazes de vencer o choque cultural;

Integre-se com sua comunidade anfitriã, saia de casa, ande pelas ruas, conheça as pessoas;

Entre para um grupo de teatro ou faça algum tipo de trabalho em grupo - conviva com mais pessoas;

Converse com seu Rotary Club anfitrião e peça para fazer algum trabalho voluntário em uma instituição de sua comunidade.

 

Siga o ditado: “When you go to Rome, do what the Romans do.”